quarta-feira, 9 de maio de 2012

Rapina


(Penso, desgasto, reescrevo.
Risco, rabisco, deixo.
Não deixo. )

Não maldigo a vida sem perguntar
"O que há?"
Sussura, sem em ser ouvida se importar.
Planeja, reinventa, surpreende.
Não mal-faça ao corpo o que a alma faz com a mente

que me larga assim
judiado, fadado, mutilado


Ela vem lúcida, de negro
Toca-me a pele, beija-me a boca
sutil e incognitamente
à base no brinco da dama o som
que me rouba a vida
e faz-me novamente sentir-me bom


E não mal-lhe-digo sobre esta rapina donzela
Ao mesmo que termina, rouba e leva,
não te engana, mas lembra
que não só os amores se vão
como também o próprio coração.


O líquido Vermelho lava
e leva a alma


de nós mesmos. 



K. Norman Field. 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Ser, Verbo Intransitivo


(Não tente, não faça, não seja. Se for para sujar tudo, apenas esqueça.)

        Não quero mais as palavras de um passado sofrido. Não quero a sensação de passado perdido. Não quero as  pegadas da areia me seguindo, que as águas, inconstantes, as apaguem, para nunca mais trazerem de volta, para as águas que uma vez se foram, nunca mais voltem a ser as mesmas. Não quero.
        Eram os mesmos erros, os mesmos rostos, os mesmos medos. Desacreditando e Inutilizando alguém. Os mesmos defeitos, os mesmos paladares, os mesmos olhares. Fazendo com que todos sejam ninguém.
        Ser, apenas por ser, não é. Viver, sem ser, é apenas morrer, bem como morrer, sem viver, é apenas ser. Assim, seja, com convicção, para não apenas ser.
        Eu quero o movimento inusitado. Eu quero o humano extravazado. Eu quero o todo, não o meio cheio, nem o meio vazio, ou meio feito, ou meio pedido.Eu quero o verde no céu e o rosa no mar. Eu quero o preto no véu e parar e acreditar. Eu quero. 


K. Norman Field

domingo, 29 de janeiro de 2012

Bichos Escrotos


(Incompleto. No entanto, não espere por um final... para nada.) 


As vezes eu me pergunto: Até que ponto uma pessoa pode ser hipócrita? Honestamente? Deveria haver um limite entre a necessidade de rejeição do instinto animal humano e do medo. Gostaria de saber o que, nos infernos de Hades, perturbou Zeus para castigar a humanidade com a parvoíce e a ignorância já tão testemunhadas.

As pessoas ainda se orgulham disso.

Não sei o que me aconteceu para ser tão assim. Eu asseguro que não sou hipócrita, mas também não sei das coisas. No entanto, eu aprendi a ficar quieta diante de situações que eu desconhecia, ao invés de ficar inventando explicações e parecer ter algum sentido no que falava.

Aprendi que ser invisível vale mais a pena do que apenas ser.

Talvez eu seja muito velha para essa época. Ou simplesmente preferi me abster da sociedade. Talvez eu tenha afastado muitas pessoas e ofendido o dobro. Talvez, guardado apenas meia dúzia delas. Por que eu deveria me importar? Dizer que viver sozinho, em uma sociedade individualista, é um comportamento inaceitável é um tanto quanto hipócrita.

No entanto, todos são assim. Apenas orgulhosos demais para deixarem cair suas máscaras. 


K. Norman Field

Homunculus


Sem mentiras, sem reclamações. Somos apenas escrúpulos de apenas um ser. Somos ostracismos da mesma causa primeira. Somos a inveja, a luxúria e a ira. Somos a junção de uma série de fatores. Somos uma equação exata de uma realidade sórdida e ilusória. Sabe, somos o podre. Somos o erro e os restos de um projeto inacabado. 


K. Norman Field

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Filosofia de Um Ninguém – 5 minutos dentro de um cigarro.


Começa assim

Co’as pernas mansas
Nos cabelos as tranças
E na memória as transas.


No silencio das garças
a mentira esgarça
e a mente disfarça


Ela levanta
como quem não acanha
ele pergunta
que há com você?


Ela se debruça no parapeito da janela, com os seios à mostra para o jardim. Respira, acende o cigarro, e como em câmera lenta e sem pensar em absolutamente nada, da uma boa tragada e a solta como uma brisa.  Será que amanhã fará esse sol?. Em sincronismo perfeito, as abelhas vão de flor em flor, coletando pólen, deixando o pólen, pegando mais pólen, abelhando. No silêncio impenetrável se escuta as borboletas. A brisa primeira bate, balança de leve os cabelos, afasta a fumaça. Não fazia idéia, quem saberia?. Outro trago. Mais forte, ela sopra com a mesma leveza da brisa, mais forte. Deve chover. As abelhas sabem, elas se apressam. Um pingo, a pétala balança. Mais um e mais um. O vento bate, balança. ‘Meu amor, volta’. O que seria dela amanhã? E se chover? Pensava nas vigas, nas vidas, nas vadias. Mais um trago. As borboletas se agitam, as formigas correm. Vai chover.  Corre! Há pouco tempo. Corre! E aperta o vento. Outro. E mais outro. Ela segura a mão da criança escorrega e cai. Troveja.  Chora e a chuva chicoteia violentamente as suas costas. Mas por que !? Outro trago. O vento vai mais veloz mais feroz. ‘O que há?’. Lágrimas caem e vão se juntando. Por que, Alice !? 


As folhas se levantam 
e vão girando
e girando 
e girando
No carrossel ela brincava
E girava
E chorava
No balanço ela ia 
e voltava
O coração bate forte
o sangue flui
corre
se perde na morte
As lágrimas caem
A chuva cai
a fumaça solta
o vento vai
E se afoga
no próprio oceano
Por que !? Por que !?


E pensava nos pleonasmos, nos parasitas, nos paradoxos. Chega! Chega! Porque? Um ultimo trago. Ele se levanta. Abre a carteira. Tira um anel. Deixa-o na cama. 
“O dia está lindo, não ?”
“Verdade”


“Era quase meio dia no lado escuro da vida”


K. Norman Field.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Lacrime


(Lembra-se da pedra que tinha no caminho? Então, eu nunca me esquecerei dela.)

Quantas faces cabem em uma

que se esconde em outras
em lençóis e mentiras nuas?

Quantas palavras cruas cabem em uma
oração

de graças e maldição?

Em quantos atos se constrói uma amizade?
um amor?
E em quantos os deixam cair?

Queria que tivesse sido eterno, sim
mas não foi. Nem intenso, Vinicius. 
No entanto, ainda deixa essas marcas
essas pedras no meu caminho
que de tantas
constroem as barreiras da represa,
desconstroem o corpo pútrido
e deixam as águas passarem,



e a alma caminha 
para onde ela achar que deve descansar.


K. Norman Field

sexta-feira, 25 de março de 2011

Aniversário


Sinceramente?
Eu amaldiçoo esse dia.

Que inferno! Cheio de sorrisos hipócritas e mãos pestilentas lhe dando falsos abraços.
Pessoas que não te dão nem bom dia quando te vêem. Absurdo.
Nesse dia, até aquela pessoa que você quer ver enterrada no inferno vem falar com você.
Honestamente, eu prefiro que essas pessoas digam na minha cara que preferem que eu morra a completar mais um ano de vida. 

Eu sei quem está ao meu lado sempre. Eu sei quem são meus amigos. Eu sei quem quer o meu bem. Esses, eu não preciso que se lembrem de mim, no meu aniversário, para confirmar que são meus amigos. E mesmo que eu não seja próxima, eu sei quem merece o meu respeito.

Apenas acho uma puta falta de sacanagem aquela garota nojenta que acha que é a rainha da verdade, que te chama de louca, diz que você tem problemas mentais e reclama só porque você está atrasada e encostou em um fio de seu cabelo, vier te dar parabéns e te desejar felicidades. Ahhh Pelo amor! Por que não diz logo: “Vai pro inferno” ? Quer ser educada? Não fala comigo! E o pior é que a minha vontade é de responder: “Cala a boca, sua hipócrita miserável!” No entanto, por educação, você é obrigada a sorrir e agradecer, para evitar uma discussão. Não é irônico? 



K. Norman Field